Sabe quando você entende que um certo hábito está te fazendo mal, mas ainda assim não consegue mudar — e nem sabe exatamente por quê?
Existe uma crença implícita de que, ao entender que algo nos faz mal ou é errado, a mudança virá automaticamente.
Contudo, entender organiza. Mas mudar exige transformação.
O que é entender
Primeiro, é importante reconhecer que entender é um processo cognitivo. Ele nos ajuda a nomear emoções, explicar padrões e construir narrativas sobre nós mesmos.
Além disso, entender gera uma sensação de controle.
Mas isso não significa, necessariamente, alterar comportamentos.
Nessa linha, a Psicologia Cognitiva mostra que os pensamentos influenciam o comportamento — mas, sozinhos, não são suficientes para transformá-lo1.
Um exemplo fácil: entender o que você sente não significa que você sabe lidar com isso.
Por que entender não gera mudança automática
O cérebro humano tende a economizar energia. Por isso, prefere estabilidade e recorre a comportamentos já automatizados.
Ou seja, mesmo quando você entende que um hábito te faz mal, mudar exige interromper padrões já estabelecidos — o que demanda mais esforço cognitivo.
Manter o que já existe, por outro lado, é mais fácil e exige menos energia2.
Somado a isso, mudar envolve mais do que o comportamento. Mudança também inclui emoções, contexto e repetição.
Ou seja, não depende apenas de entender ou querer – envolve processos cognitivos, emocionais e comportamentais mais complexos3.
Assim, fica mais fácil compreender por que saber ou entender não impede a repetição.
Sabe aquela sensação de “eu sei que é errado, mas não consigo evitar”?
A diferença entre insight e transformação
Em uma comparação:
Entender: é cognitivo, rápido, traz alívio e explica.
Mudança: é comportamental e emocional, processual, gera desconforto e exige ação.
Portanto, entender é um passo. Mudar é um processo.
O que realmente participa da mudança
E aí, você pode estar se perguntando, o que, de fato, participa da mudança?
Para que a mudança aconteça, o primeiro passo é a repetição.
Nenhum novo hábito ou comportamento se solidifica sem ela. É preciso praticar e repetir para criar novos caminhos cerebrais e enfraquecer padrões antigos.
O contexto também influencia diretamente.
O ambiente em que você está inserido pode facilitar ou dificultar a mudança.
As emoções são outra parte essencial.
Algumas experiências podem até ser entendidas, mas não necessariamente foram processadas. No pensamento, fazem sentido — mas ainda precisam ser elaboradas emocionalmente para, de fato, gerarem mudança.
Por fim, o tempo também tem seu papel.
Você com certeza já ouviu a expressão “dê tempo ao tempo”. Mudanças não acontecem imediatamente, nem de maneira linear. Há avanços, recuos e, muitas vezes, repetição ao longo do caminho3.
Mudar é menos sobre grandes viradas e mais sobre dar e sustentar pequenos passos, mesmo quando parece difícil.
Portanto, entender não é o mesmo que mudar.
1 – JUNIOR, Osvaldo M. Comportamentos: a Relação entre Cognição e Comportamento na Psicologia Cognitivo-Comportamental. Neuroflux, 2025. Disponível em: https://neuroflux.com.br/neuroflux-psicologia-direcionada-publicacoes-artigo-60.html. Acesso em 20 abr 2025.
2 – Por que mudar é tão difícil? A Psicologia explica a resistência à mudança. Saúde Mental. Disponível em: https://www.psicologiahailtonyagiu.psc.br/materias/esclarecendo/2112-por-que-mudar-e-tao-dificil-a-psicologia-explica-a-resistencia-a-mudanca. Acesso em 20 abr 2025.
3 – NUNES, Anitta W. F. O. Mudar é difícil, mas não impossível. Terappia, 2026. Disponível em: https://www.terappia.com.br/en/posts/mudar-%C3%A9-dif%C3%ADcil%2C-mas-n%C3%A3o-imposs%C3%ADvel. Acesso em 20 abr 2025.
