Costumeiramente, quando o final do ano se aproxima, tendemos a refletir sobre as metas e objetivos que estabelecemos e como nos comportamos ao longo do caminho. Além disso, muitos de nós também planejamos novas metas e comportamentos para o próximo ano.
Quando fazemos essa análise e planejamento, focamos nas circunstâncias, nos possíveis obstáculos e em oportunidades que estão no horizonte. Mas, esquecemos que toda ação depende de fatores internos: processos biológicos, psicológicos e emocionais, que guiam nossas escolhas, a direção que optamos seguir, e se vamos chegar até o fim ou desistir pelo caminho. Entender esses fatores é fundamental para compreender por que certas metas funcionam melhor que outras.
A biologia da motivação
Quando falamos de fatores psicológicos, logo pensamos na motivação, que é um processo psicológico regulado pelo cérebro e está intimamente ligado ao sistema de recompensas. A dopamina é a protagonista desse sistema, ela gera a expectativa por uma recompensa e isso nos move1.
Imagine que uma das suas metas do ano é ler um livro por mês, e ao longo das semanas, o que parecia uma tarefa começa a ser um momento prazeroso do seu dia, gerando uma sensação de bem-estar. Quando a tarefa passa a gerar uma recompensa, o sistema promove um aumento ainda maior nos níveis de dopamina quando você for ler no dia seguinte, o que fará com que você se sinta motivado.
É por isso que não se pode definir motivação apenas como “força de vontade”, porque ela vai além disso. A motivação é quase como uma bússola interna para buscar satisfação e nos afastar de tarefas que geram desgaste sem recompensa.
As necessidades internas também nos movem
Além da motivação, as necessidades internas são grandes impulsionadoras das nossas escolhas. Aqui estamos falando sobre necessidades biológicas, fisiológicas e psicológicas, nem sempre conscientes.
Primeiramente, as necessidades podem ser fisiológicas, como a fome e a sede. Segundo a Hierarquia das Necessidades, idealizada por Abraham Maslow, para que possamos buscar cumprir outras metas, primeiro nosso organismo precisa cobrir as necessidades básicas. Ou seja, se você não está descansado, está com fome ou com sede, não consegue focar em metas maiores2,3.
Sem suprir as necessidades fisiológicas apropriadamente, fica mais difícil ter foco e persistência para se comprometer com outras atividades.
Por outro lado, a Teoria da Autodeterminação, de Edward Deci e Richard Ryan, revela que após satisfazer as necessidades fisiológicas, é preciso suprir as necessidades psicológicas básicas. Segundo os pesquisadores, existem três necessidades fundamentais2,4:
- Autonomia: metas são originadas de desejos pessoais recebem mais energia do que metas externas4;
- Competência: cada vez que percebemos progresso na jornada, nosso cérebro encara como um reforço positivo, e reforça a motivação. Agora, se nos sentimos incapazes, podemos acabar desistindo4;
- Vínculo: temos mais persistência na jornada quando as metas se conectam a pessoas que estimamos ou ambientes que nos oferecem conforto4.
Essas três necessidades marcam por que duas pessoas com as mesmas metas acabam percorrendo caminhos diferentes para alcançá-las.
O papel das Emoções
Ao longo dos tempos, muitos pensadores e pesquisadores defenderam a razão como guia para todas as decisões humanas. Mas, hoje, sabemos que as emoções estão longe de ser uma pedra no caminho e na verdade, são fundamentais para nos orientar nas tomadas de decisão.
Por exemplo, o medo alerta sobre possíveis perigos, enquanto a curiosidade pode levar a um novo aprendizado.
Forças opostas
Muitas vezes, questões internas mal resolvidas podem jogar contra e podemos acabar sabotando a nós mesmos. É importante conhecer e saber que a autossabotagem é um mecanismo do cérebro para se manter seguro e garantir a sobrevivência. Portanto, quando temos dificuldades no caminho, pode não ser apenas por falta de “força de vontade”.
Conclusão
Deu para perceber que a motivação não segue uma linha reta, e existem múltiplas variáveis que a influenciam. Nossas ações e decisões são moldadas por fatores como as necessidades fisiológicas, psicológicas, crenças, e emoções.
Desde pequenas decisões, até grandes mudanças de vida, esses fatores fazem parte da nossa trajetória. Cabe a você saber quais destas forças te impulsionam diariamente.
1 – Mecanismos de recompensa: como o cérebro processa nossas conquitas? Instituto de Psiquiatria do Paraná. Disponível em https://institutodepsiquiatriapr.com.br/blog/mecanismos-de-recompensa-como-o-cerebro-processa-nossas-conquistas/. Acesso em: 18 nov 2025.
2 – BRENNER, Brad. Understading Motivation: Key Factors That Drive Action and Change. Therapy Group DC, 2025. Disponível em: https://therapygroupdc.com/therapist-dc-blog/understanding-motivation-key-factors-that-drive-human-behavior/. Acesso em: 18 nov 2025.
3 – SOUDERS, Beata. 20 Most Popular Theories of Motivation in Psychology. Positive Psychology, 2019. Disponível em https://positivepsychology.com/motivation-theories-psychology/. Acesso em: 19 nov 2025.
4 – WEIR, Kirsten. Self-determination theory: A quarter century of human motivation research. American Psychological Association, 2025. Disponível em https://www.apa.org/research-practice/conduct-research/self-determination-theory. Acesso em : 19 nov 2025.
